Nós e as nossas crianças em tempos de covid-19

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NÓS E AS NOSSAS CRIANÇAS EM TEMPOS DE COVID-19

Vivemos tempos de grande ansiedade, onde todos fomos aconselhados a mudar rotinas e padrões de vida em prol de um bem maior, a saúde e segurança da comunidade onde vivemos,e em particular para proteger as nossas famílias e igualmente as nossas crianças. Nesse sentido, a Unidade de Cuidados na Comunidade Maria Dias Ferreira partilha com todos os pais e cuidadores algumas recomendações da Ordem dos Enfermeiros no que concerne ao apoio às nossas crianças e adolescentes mesmo nesta fase de desconfinamento que vivemos.

COMO FALAR COM AS CRIANÇAS SOBRE A COVID-19?

Comece por convidar a criança a falar sobre o assunto, descubra o quanto ela já sabe sobre o assunto e deixe que seja ela a liderar a conversa. Em crianças em idade pré-escolar apenas aproveite a oportunidade para relembrá-los sobre as boas práticas de higiene sem introduzir novos medos. Desenhos, histórias e outras atividades podem ajudar a iniciar uma discussão. Mais importante ainda, não minimize as suas preocupações. Não se esqueça de reconhecer os sentimentos das crianças e adolescentes e explicar que é natural sentir medo da COVID-19. Preste atenção ao que ouve e verifique se eles entendem o que lhes é explicado.

SEJA HONESTO, EXPLIQUE A VERDADE DE UMA MANEIRA SIMPLES À CRIANÇA

As crianças e os adolescentes têm direito a informações verdadeiras sobre o que está a acontecer no mundo, mas os adultos também têm a responsabilidade de os manter protegidos dos problemas. Use uma linguagem apropriada para a idade, observe as suas reações e seja sensível ao seu nível de ansiedade.

Se não conseguir responder às perguntas das crianças e dos adolescentes, não tente adivinhar. Use o momento como uma oportunidade para explorar as respostas em conjunto. Sites de organizações internacionais como a DGS, UNICEF e a Organização Mundial da Saúde são ótimas fontes de informação. Explique que algumas informações online não são precisas e que é melhor confiar nos especialistas.

MOSTRE LHES COMO SE DEVEM PROTEGER E AOS SEUS AMIGOS:

Uma das melhores formas de manter as crianças e os adolescentes protegidos do coronavírus e de outras doenças é simplesmente incentivar a lavagem regular das mãos. Não necessita ser uma conversa assustadora. Com os mais pequenos cante enquanto realiza o procedimento para torná-lo mais divertido. Pode também mostrar às crianças e aos adolescentes como fazer quando se tosse ou espirra, utilizando o cotovelo. Explique-lhes que é melhor não ficar muito perto das pessoas mantendo uma distância de cerca de 2 metros. E os que regressão à escola relembre-lhes que as regras instituídas por estas devem ser respeitadas, pois são para a segurança de todos.

OFEREÇA GARANTIAS

Quando as crianças vêem muitas imagens perturbadoras na televisão ou online, às vezes podem ter dificuldade em distinguir essas imagens das da sua própria realidade pessoal, e podem acreditar que estão em perigo iminente. Pode ajudar as crianças a lidar com o stresse, criando oportunidades para elas brincarem e relaxarem. Mantenha rotinas o máximo possível, principalmente antes de dormir, ou ajude a criar novas num novo ambiente.

Lembre-lhes que eles não são a população de maior risco de contrair a doença, que a maioria das pessoas que têm coronavírus não fica muito doente e que muitos profissionais de saúde estão a trabalhar arduamente para manter a sua família segura.

É também importante que as crianças e os adolescentes saibam que as pessoas se ajudam com atos de bondade e generosidade. Compartilhe histórias de profissionais que trabalham para parar o surto e manter a comunidade segura. Pode ser um grande conforto saber que há pessoas compassivas a agir.

MANTENHA A CALMA E DÊ O EXEMPLO

O controlo é essencial para as crianças perceberem que a situação pode ser resolvida. Se você com pai ou cuidador estiver ansioso ou aborrecido, reserve um tempo para si e procure outro familiar, amigos e pessoas de confiança na sua comunidade para lidar com as crianças.

TERMINE AS CONVERSAS COM CUIDADO

É importante que não deixe a conversa a meio ou com questões importantes por responder. À medida que a conversa termina, tente avaliar o nível de ansiedade da criança e adolescente observando a linguagem corporal, o tom de voz habitual e o tipo de respiração.Lembre às crianças e aos adolescentes que podem ter outras conversas difíceis consigo a qualquer momento. Lembre-os de que você se importa, ouve e está disponível sempre que eles se sentirem preocupados.

Tranquilize os seus filhos, diga-lhes que sabe que é difícil… talvez assustador ou até mesmo chato, mas seguir as regras ajudará a manter todos em segurança.

Enfª Sandra Costa

Enfermeira Especialista de Saúde Infantil e Pediátrica

Texto baseado nas “ORIENTAÇÕES – COVID-19” da Ordem dos Enfermeiros 2020

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