Consumo de álcool dos estudantes

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Os comportamentos aditivos, muitas vezes designados por consumos excessivos, são comportamentos em que o indivíduo não tem a capacidade de auto-controlo, como por exemplo: substâncias psicoactivas, jogo, internet, sexo, compras, etc…onde se encontra envolvido um potencial de prazer.A continuidade desse tipo de comportamento, em conjunto com outros factores, poderá originar a dependência.

Em relação aos comportamentos aditivos existe intervenções em 5 níveis: prevenção; dissuasão; tratamento; redução de riscos e minimização de danos e reinserção. A prevenção centra-se na avaliação do risco da ocorrência de um problema de forma a que se possa actuar antes da existência real do mesmo e baseia-se em diagnósticos específicos de uma determinada população.

Decorrente da necessidade de prevenção dos comportamentos aditivos, no ano lectivo de 2018/2019 procedeu-se à realização de inquéritos à população estudantil do 3º ciclo, pois é nesta etapa de vida que começam a ocorrer as primeiras experimentações que poderão desencadear consumos excessivos. Neste artigo, irão ser apresentados os dados referentes ao consumo de álcool.O consumo de álcooldurante a adolescência pode comprometer o desenvolvimentoa nível biológico e psicossocial, podendo envolver os adolescentes em situações relacionais e comportamentais com consequências imprevisíveis e duradouras.

Foram obtidos 195 questionários dos 237 alunos do 3º ciclo: 69 do 7º ano; 44 do 8º ano e 82 do 9º ano. A experimentação de bebidas alcoólicas foi relatada por 144 alunos (73.85%), sendo a variação entre rapazes e raparigas inferior a 1%. As turmas do 7º ano são as que apresentam valores mais baixos (entre 47,06 e 77,78%), observando-se nas turmas do 9º ano percentagens mais elevadas (79,31 a 100%).Dos alunos que já experimentaram álcool, a maior percentagem da idade do primeiro consumo ocorre entre os 12 e os 14 anos – 84 alunos (58,33 %) e 51 dos alunos responderam ser antes dos 12 anos (35,42%), tendo ocorrido essa experimentação maioritariamente em contexto familiar (73 alunos – 50,69%) e em contexto de festa (61 alunos – 42,36%). Nas faixas etárias mais jovens a bebida mais comum é o vinho, são os rapazes que mais precocemente experimentam, verificando-se a partir dos 14 anos uma igualdade entre rapazes e raparigas.

Uma percentagem significativa dos alunos continua com consumoregular de álcool (44 alunos – 30,56%), com predominância do consumo de cerveja. Desses alunos, 35 (79,55%) responderam que consumiam álcool com os amigos e 28 (63,64%) consumiam, em média, uma vez por mês. De salientar que 10 dos alunos (22,73%) que continuam o consumo, fazem-no uma vez por semana, não existindo diferenças entre género. Dois dos alunos referiram que já faltaram às aulas por estarem embriagados.

Face aos resultados obtidos, e perante a realidade da comunidade estudantil inquirida, os pais e educadores devem estar alertas para um conjunto de sinais que poderão indicar se existe um padrão regular de consumo.Se o jovem bebeu um pouco demais num dia de anos ou numa festa e até contou aos pais não é preocupante. Por outro lado, se acontece cada vez que sai com os amigos é um sinal. Uma alteração nos comportamentos em casa e/ou na escola (baixa de notas), agressividade ou isolamento, problemas de memória ou de concentração, demonstração de menor interesse por actividades ou a aparência poderão ser também indicadores de consumo excessivo. Por vezes, acontece os jovens começarem a pedir mais dinheiro aos pais. Acima de tudo, é importante estar atento a modificações nos hábitos dos seus filhos.

A equipa da UCC Maria Dias Ferreira

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