Amamentação e o regresso ao trabalho

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No mês que se comemora o dia da mulher , retomamos os artigos de saúde elaborados pela equipa de enfermagem da Unidade de Cuidados na Comunidade Maria Dias Ferreira de Ferreira do Zêzere e que agradecemos.

 

“Para qualquer mulher que acabou de ser mãe, o regresso ao trabalho pode significar um desafio. Algumas mulheres gostariam de ficar mais tempo em casa, outras já sentem falta do trabalho que gostam e da dinâmica social. Mas é sempre normal sentimentos de preocupação ou ansiedade. Mas tranquilize-se, planeie com antecedência este regresso e tudo irá correr pelo melhor.

Como nem sempre conseguimos deixar o nosso bebé com quem gostaríamos o primeiro passo é escolher com quem o vamos deixar. Com antecedência, estabeleça contactos, visite lugares e converse com a pessoa que ficará responsável pelos cuidados do seu bebé, sobre as suas preocupações e expectativas.Converse também sobre questões práticas como o que levar, preços, horários, alimentação. Sinta-se segura em relação a pessoa com quem ficará o seu bebé.

No regresso ao trabalho a continuidade da amamentação é também uma das questões importantes a refletir. Amamentar continua a ser benéfico para si e para o bebé, uma vez que a OMS recomenda a amamentação exclusiva até aos 6 meses e complementar até pelo menos aos 2 anos de idade.

Mesmo com o regresso ao trabalho a amamentação poderá continuar. Confie!…

De acordo com Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, poderá gozar da “dispensa diária para amamentação durante o tempo que durar a amamentação, gozada em dois períodos distintos, com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com a entidade empregadora, devendo a trabalhadora apresentar atestado médico se a dispensa se prolongar para além do primeiro ano de vida do/a filho/a.No caso de nascimentos múltiplos, a dispensa é acrescida de mais 30 minutos por cada gémeo/a além do/a primeiro/a.Se a mãe trabalhar a tempo parcial, a dispensa é reduzida na proporção do respetivo período normal de trabalho, não podendo ser inferior a 30 minutos.”

Para além da dispensa para amamentar, poderá continuar a ser oferecido leite materno pela pessoa que ficará a cuidar do bebé, caso a mãe opte por ir realizando a extração durante o tempo que não está com ele, mantendo se possível os intervalos de tempo que supostamente o bebé mamaria.

Para realizar a extracção de leite materno poderá utilizar apenas a sua mão e recipiente colector (extracção manual), ou uma bomba extratora (pode ser elétrica ou não). Poderá realizar a extracção durante a jornada de trabalho, se no seu local de trabalho se reunirem condições mínimas de privacidade, segurança e higiene. O ideal era conseguir um local privado e calmo, seguro e limpo, onde pudesse realizar a extracção durante o tempo necessário, e ter um frigorífico onde pudesse armazenar o leite colectado. Este poderá ser reservado em local próprio: saco ou frasco próprios. Poderá também armazenar ou transportar numa caixa térmica a baixa temperatura (até 5º).

Pode armazenar o leite materno em temperatura ambiente (a baixas temperaturas) até 24 horas, até 5 dias no frigorífico, e até 6 meses no congelador. Identifique o leite com a data de coleta e data de validade para facilitar.

O leite deverá ser descongelado no frigorífico ou em temperatura ambiente, aquecido em banho-maria sem ferver, e ser consumido em 4 horas. Se tiver sido descongelado no frigorífico pode permanecer no frigorífico até 24 horas. Nunca deve ser reaquecido ou recongelado. Confirme que quem fica com o bebé está à vontade no manuseio do leite materno.

Para higienizar o material usado apenas precisa de lavar com água e sabão e deixar secar ao ar, sem usar panos. Não precisa esterilizar o material por se tratar de leite materno.

Nesta nova etapa do regresso ao trabalho é normal que o bebé sinta a sua falta, e se manifeste mais apelativo quando está consigo devido à necessidade de contato e afeto. Aproveite para amamentar sempre que está com o bebé, de dia ou de noite. Pode ser uma fase cansativa, com horários a cumprir e por vezes noites mal dormidas, mas lembre-se que é uma fase. Procure uma rede de apoio ou mães que estão a passar ou já passaram por esta experiência. Converse, partilhe! Poderá dissipar anseios e recolher boas dicas. E vai ver que vai correr bem!

Marta Oliveira

Enfermeira da Unidade de Cuidados na Comunidade Maria Dias Ferreira”

 

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