FARRAPOS DA MEMÓRIA… por Victor Silva

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FARRAPOS DA MEMÓRIA…
As aldeias também morrem..!..E o abandono persistem em manter-se. No entanto, muitas delas são preciosidades cheias de histórias para descobrir.
Localidade da Ribeira do Lagar do Lombo, a meia dúzia de kms de Ferreira do Zêzere, é hoje uma aldeia fantasma, em ruínas, onde as sombras e o silêncio, emergem na paisagem irreverentes e fantásticos. 
A tranquilidade, onde apenas o silêncio é entrecortado pela aragem, pela paragem no tempo, rodeado por um pouco de verde, e onde apenas  se ouve o chilrear dos passaros, o som das águas dos ribeiros que desce batendo por entre as pedras. 
Há evidências, que nos dão conta de que foi  uma aldeia povoada e essencialmente agrícola, que privilegiava o cultivo de cereais, azeite, fruta, legumes, um pouco de vinho, pinho e resina. Preciosa, aproveitando a força das águas, construindo azenhas movidos pela própria água, transformando os cereais em farinha. Assim como outras azenhas instaladas no curso da ribeira da Cabrieira. Também, um lagar de moagem de azeitona para a produção de azeite, movido pela força da própria água. Também ao longo do seu percurso a água destes ribeiros, foram utilizadas para regadio das sementeiras.
Nos meados do século XX, foi  uma aldeia muito “ativa”  era aqui que as populações das redondezas se deslocavam para transformar os seus cereais em farinha e azeitona em azeite, aqui a produção agricultura foi também auto-sustentável. Nesta aldeia ainda uma casa quase “senhorial”, que em outros tempos foi  propriedade da família de Virgínia Mendes Peres.
Hoje, com evidentes sinais da passagem do tempo. Alguma vegetação vai ocupando as ruínas. Nesta altura do ano, as árvores despidas de folhas contribuem para dar um toque ainda mais dramático a este cenário.
É também nesta aldeia que se junta o ribeiro do Lombo e do Monfragal, estes vão-se unir ao ribeiro do Cubo e Cerejeira, que depois desagua na Ribeira da Cabrieira, afluente do Zêzere. Sendo estes dois ultimos que fazem com que esta aldeia pertence a duas Freguesias, de uma margem Ferreira do Zêzere e outra Águas Belas. 
Voltando ao sítio onde começamos, recomenda-se uma visita em caminhada, afim de nos fazer viajar no tempo e nos colocar precisamente no mesmo lugar onde pessoas e objectos ainda permanecem, intocáveis, indiferentes a tudo… despertando-nos um turbilhão de sentimentos impossíveis de descrever…
Fotos: Abril de 2017


O região do Zêzere agradece a cedência da reportagem do Sr. Victor Silva publicada no facebook na página: Ferreira do Zêzere, saudade & companhia, Ilimitada

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