Galinhas sem gaiolas? Zêzerovo investe 5 milhões

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Alfredo Martins diretor-geral da Zêzerovo disse em entrevista ao “Dinheiro Vivo” que a empresa vai seguir as exigências do mercado e investir 5 milhões de euros até 2018.
Depois dos investimentos em novas gaiolas exigidas pela União Europeia, as empresas têm agora uma exigência das empresas de distribuição que prometem aos consumidores a venda de ovos de galinhas que andam à solta.


“Com a decisão das cadeias de distribuição de, o mais tardar até 2025, acabar com a venda dos ovos de galinhas criados em gaiolas, a Zêzerovo vai ter de mudar. A produção que viu em Tomar é o primeiro passo: com 12 semanas, as pintas seguem para o pavilhão e em setembro, recebe 70 mil galinhas para postura em solo e, no qual, só em infraestruturas, a produtora vai aplicar 1,5 milhões de euros. 
 “É uma exigência do mercado”, diz. O Lidl foi o primeiro a decidir pôr fim à venda de ovos de galinhas criadas em gaiolas. “Só vendemos ovos de marca própria e esses ovos são de galinhas criadas no solo ou criadas ao ar livre”, explica fonte oficial. Foi um efeito em cadeia. Em abril foi a vez do grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce e Recheio) e este mês do Intermarché darem aos produtores nacionais até 2025 para se adaptar. O Continente e Auchan (Jumbo e Pão de Açúcar) ainda não definiram uma data. 

O impacto no setor de produção é tremendo. “Preparado o setor não está. Com esta iniciativa do Lidl está esgotada a capacidade de produção de ovos produzidos por métodos alternativos às galinhas em gaiola”, admite Paulo Mota, porta-voz da Associação Nacional dos Avicultores Produtores de Ovos (ANAPO). A indústria terá de fazer uma profunda adaptação: do parque instalado de 8,2 milhões de galinhas, 91,5% são de galinhas criadas em gaiolas. Para adaptar, acredita a associação, vai ser necessário investir “muitos milhões” e os produtores, alerta, estão ainda a recuperar os investimentos feitos em 2012 para adaptar as gaiolas convencionais às melhoradas, em que foram investidos 75 milhões. E depois de anos difíceis vão ter de voltar a investir – “nos últimos cinco anos não tem sido fácil para os produtores, com alguns meses a vender abaixo do preço de produção”, reconhece Alfredo Martins. A Zêzerovo, que escoa 60% da produção para as cadeias de distribuição, já está a fazer esse processo de adaptação. Depois do pavilhão com capacidade para galinhas criadas em solo previsto para setembro, em janeiro de 2018 vão investir em mais 35 mil galinhas ao ar livre e mais 70 mil galinhas criadas em solo. “Estamos a pensar também apostar no ovo biológico [6 mil galinhas], porque pensamos que aí o consumo vai aumentar”, adianta Alfredo Martins. Em dois anos, contam investir 4 a 5 milhões “só em infraestruturas”.
In: www.dinheirovivo.pt/empresas/soltar-as-galinhas-vai-obrigar-produtores-de-ovos-a-investir-milhoes/

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